Foral Quinhentista - Terras de Bouro
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25 junho, 2011
03 fevereiro, 2011
30 mil professores... a menos em 2011/2012
Mais de 30 mil postos de trabalho vão ser eliminados nas escolas no próximo ano lectivo, com os mega-agrupamentos, as alterações curriculares e a organização do ano escolar, afirmou hoje, quinta-feira, o secretário-geral da Fenprof.
não é?
No final de uma reunião com o secretário de Estado adjunto e da Educação, Mário Nogueira afirmou que as contas da Fenprof e que "o Ministério da Educação não conseguiu negar" apontam para uma redução de 30 a 40 mil horários, o que significa que "quase o mesmo número de postos de trabalho vão ser eliminados".
"Nós calculamos que os mega-agrupamentos dêem uma redução na ordem dos 10 a 12 mil lugares, que as alterações curriculares dêem uma redução de 12 mil, sendo que sete mil são horários de EVT (Educação Visual e Tecnológica), e que com a organização do ano escolar e o novo despacho sejam mais cerca de 10 mil. Isto dá qualquer coisa como 34 mil horários", disse.
O secretário de Estado Alexandre Ventura confirmou que as alterações curriculares "vão implicar alterações nas escolas", mas negou que correspondam aos números avançados pela Federação Nacional dos Professores (Fenprof).
Contudo, quando questionado quanto ao número de horários previstos serem reduzidos, o governante respondeu que o "Ministério da Educação não está de maneira nenhuma envolvido na abordagem de quantos (professores) serão necessários".
"O Ministério da Educação está envolvido na prestação do seu serviço educativo com máxima qualidade, portanto mobilizará todos os recursos necessários para a satisfação dessa necessidade da sociedade portuguesa", afirmou.
Caberá às escolas escolher os professores em função dos seus recursos, disse Alexandre Ventura.
Mário Nogueira afirmou, por sua vez, que "as escolas só podem pedir pessoas em função dos critérios que o Ministério da Educação impõe", ou seja, menos 30 a 40 mil horários.
Um decreto-lei publicado ontem, quarta-feira, em "Diário da República" veio alterar o desenho curricular do Ensino Básico e Secundário a partir de Setembro de 2011.
O diploma decreta a extinção da disciplina de Área de Projecto, o fim da obrigatoriedade de frequência de Estudo Acompanhado, passando a ser apenas para alunos com dificuldades a Língua Portuguesa e Matemática, e o fim do par pedagógico na leccionação da disciplina de EVT, que passa a ter apenas um professor.
12 junho, 2010
Carrinhos de arame
Construção de um "carrinho de arame", inspirado na habilidade dos meninos moçambicanos.
6ºAno, Turma 5
Lamaçães - Braga
17 março, 2010
O que queremos para os nossos filhos...
Talvez valha a pena pensar nisto... não é?
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15 outubro, 2008
Acreditar
Recebi este vídeo por correio electrónico.
Não sei quem é o autor (ou autores)...
Sinceramente?
Não me interessa!
Só posso dizer que concordo com a mensagem e, por isso, partilho-a neste meu espaço, não é?
Eu acredito!
Não sei quem é o autor (ou autores)...
Sinceramente?
Não me interessa!
Só posso dizer que concordo com a mensagem e, por isso, partilho-a neste meu espaço, não é?
Eu acredito!
23 março, 2008
Violência na escola
Vídeo feito numa aula. A professora decide retirar o telemóvel a uma aluna, de 15 anos. A jovem não aceita. As imagens são de telemóvel, filmadas por um aluno de uma turma do nono ano da secundária Carolina Micaelis do Porto.
Reportagem da SIC
Reportagem da SIC
28 fevereiro, 2008
Prós e Contras
Fernanda Velez, professora da Escola Secundária da Moita, no debate da RTP "Prós e Contras"...
nada, absolutamente nada contra o que ela disse...
tudo prós...
não é?
não é?
não é?
não é?
03 janeiro, 2008
União Europeia: Fantoches Bandeiras
Trabalho realizado na área curricular não disciplinar de Área de Projecto, pelos alunos do 7ºE, da escola EB 2,3 de Caldas de Vizela.
Ano lectivo 2007/08
29 maio, 2007
Peça de teatro "Reciclagem"
Peça de teatro sobre a reciclagem preparada pelos formandos do Curso de Educação e Formação de Adultos, da Escola EB 2,3 de Gualtar.
1ª Parte
2ª Parte
1ª Parte
2ª Parte
21 maio, 2007
O rapaz que não contava histórias

Paulo, menino de rosto redondo e nariz achatado, não gosta de contar histórias. Apesar dos seus dezassete anos, nunca contou uma história e, por isso, no seu grupo de amigos todos brincam com ele. Quando se reunem para contar histórias, estão sempre com pilhérias pelo facto de ele estar constantemente calado. Uns dizem que ele não é normal, outros incentivam-no a aprender uma ou duas histórias, para que deixe de ser alvo de zombarias.
De facto, com a ajuda de dois colegas, o Paulo aprendeu uma história. Logo que os amigos souberam desse facto, manifestaram curiosidade e uma certa ansiedade em conhecer a história. Aliás, já todos falavam da história do Paulo…
Na primeira segunda-feira do mês de Março, Paulo entra no café Central onde se reuniam com frequência. Apesar das suas faces vermelhas e ar embaraçado, eis que surge com um sorriso de orelha a orelha e um olhar brilhante como nunca se vira.
Paulo estava contente, já sabia uma história! A notícia espalhou-se rapidamente e todos ansiavam ouvir e conhecer a história do Paulo.
Chegou finalmente o dia em que todos iam ouvir o Paulo a contar uma história. Pelo menos assim pensavam. Uma vez todos reunidos, cada um foi contando a sua ansiando pela do Paulo... De repente todos ficaram em silêncio olhando para o nervoso Paulo.
E o Paulo começa:
- "No meio dos meus amigos
Fui humilhado porque quis
Mas depois de tantos castigos
Eis a história que para vós fiz."
De facto, com a ajuda de dois colegas, o Paulo aprendeu uma história. Logo que os amigos souberam desse facto, manifestaram curiosidade e uma certa ansiedade em conhecer a história. Aliás, já todos falavam da história do Paulo…
Na primeira segunda-feira do mês de Março, Paulo entra no café Central onde se reuniam com frequência. Apesar das suas faces vermelhas e ar embaraçado, eis que surge com um sorriso de orelha a orelha e um olhar brilhante como nunca se vira.
Paulo estava contente, já sabia uma história! A notícia espalhou-se rapidamente e todos ansiavam ouvir e conhecer a história do Paulo.
Chegou finalmente o dia em que todos iam ouvir o Paulo a contar uma história. Pelo menos assim pensavam. Uma vez todos reunidos, cada um foi contando a sua ansiando pela do Paulo... De repente todos ficaram em silêncio olhando para o nervoso Paulo.
E o Paulo começa:
- "No meio dos meus amigos
Fui humilhado porque quis
Mas depois de tantos castigos
Eis a história que para vós fiz."
Texto elaborado pelos formandos do curso EFA
Uma tarde com um "cortador de carnes"

No dia 8 de Fevereiro de 2007, às 14 horas, na junta de Freguesia de Sobreposta (Braga), os formandos do curso de Educação e Formação de Adultos (EFA) da Escola EB 2,3 de Gualtar, assistiram a uma palestra com um talhante.
A palestra, preparada e organizada no âmbito das actividades do curso e inseridas no tema de vida “Consumo: gerir o nosso orçamento familiar”, teve como convidando o Sr. Machado, talhante no Carrefour.
Esta iniciativa teve como objectivos dar a conhecer diversas formas de conservação das carnes, o tempo de validade de cada peça e possíveis formas de utilização; apresentar sugestões sobre o tipo de carne e respectivas peças que se devem comprar consoante o tipo de cozinhado que se pretende preparar. Para tal, o Sr. Machado mostrou um conjunto de fotografias com as partes dos animais, os respectivos nomes e explicou as características de cada uma.
No final da palestra, os formandos prepararam um lanche de encerramento da actividade e aproveitaram o momento para agradecer a presença do Sr. Machado.
Os formandos do curso EFA
11 maio, 2007
Reciclagem e meio ambiente
Os formandos do curso de Educação e Formação de Adultos (EFA), da Escola EB 2,3 de Gualtar, organizaram para hoje - 11 de Maio de 2007, às 20:30 horas, na Junta de Freguesia de Sobreposta, Braga - uma palestra sobre a reciclagem e o meio ambiente, cuja palestrante é a Dra. Ana Cristina da Quercus.
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Para além disso prepararam uma pequena peça de teatro sobre esta temática, a exibir no final da palestra - pelas 21:15 horas.

16 novembro, 2006
Os professores em Portugal, afinal, não são assim tão maus...
Consulte a última versão (2006) Education at a Glance, publicado pela OCDE.
Se for à página 58, verá desmontada a convicção generalizada de que os professores portugueses passam pouco tempo na escola e que no estrangeiro não é assim.

É apresentado no estudo o tempo de permanência na escola, onde os professores portugueses estão em 14º lugar (em 28 países), com tempos depermanência superiores aos japoneses, húngaros, coreanos, espanhóis, gregos, italianos, finlandeses, austríacos, franceses, dinamarqueses, luxemburgueses, checos, islandeses e noruegueses!
No mesmo documento de 2006 poderá verificar, na página 56, que os professores portugueses estão em 21º lugar (em 31 países) quanto a salários!
Na página 32 poderá verificar que, quanto a investimento na educação em relação ao PIB, estamos num modesto 19º lugar (em 31 países) e que estamos em 23º lugar (em 31 países) quanto ao investimento por aluno.
E isto, o ME não manda publicar...
Não tem problema.
Já estamos habituados a fazer todos os serviços, não é?
Se for à página 58, verá desmontada a convicção generalizada de que os professores portugueses passam pouco tempo na escola e que no estrangeiro não é assim.

É apresentado no estudo o tempo de permanência na escola, onde os professores portugueses estão em 14º lugar (em 28 países), com tempos depermanência superiores aos japoneses, húngaros, coreanos, espanhóis, gregos, italianos, finlandeses, austríacos, franceses, dinamarqueses, luxemburgueses, checos, islandeses e noruegueses!
No mesmo documento de 2006 poderá verificar, na página 56, que os professores portugueses estão em 21º lugar (em 31 países) quanto a salários!
Na página 32 poderá verificar que, quanto a investimento na educação em relação ao PIB, estamos num modesto 19º lugar (em 31 países) e que estamos em 23º lugar (em 31 países) quanto ao investimento por aluno.
E isto, o ME não manda publicar...
Não tem problema.
Já estamos habituados a fazer todos os serviços, não é?
20 junho, 2006
Carta Aberta à Sra. Ministra da Educação
Esta carta, que será divulgada também na comunicaçãoo social, tem como objectivo contribuir para a reflexão acerca da Qualidade da Educação do nosso país.
Neste sentido, e ao invés de contestar ponto por ponto a sua proposta de alteração ao Estatuto da Carreira Docente, os docentes deste país ficam-se pelas suas consequências, o tal efeito prático que a Sra. Ministra prefere dissimular num jogo falacioso e perigoso, atirando-nos, pais e professores, uns contra os outros.
Embora tenha surgido como o maior engodo - o de chamar os pais à escola - da história da Educação deste país, na verdade, a avaliação dos Docentes pelos Pais e Encarregados de Educação, representa apenas uma ponta da ponta de um iceberg, uma linha de texto num documento de 54 páginas. Interessa apenas a quem se limita a promover manobras de diversão facilmente identificáveis, parecendo ignorar que nenhum professor sério irá¡ temer se for avaliado de forma séria. É vergonhoso, até para nós que somos portugueses, verificar o calculismo e a facilidade com que a Sra. Ministra aborda a questão complexa, como é a de avaliar os desempenhos dos professores, sem o mínimo de profundidade, preferindo, sem olhar a meios, o populismo fácil e barroco.
Recorrendo a meras hipóteses, se o novo estatuto fosse, numa eventualidade pouco inteligente, aprovado, o docente teria um número fechado de vagas para Muito Bons e Excelentes. Assim, perguntamos nós: e se, num acaso, os professores de uma escola excederem o número premeditado de Excelentes? Escolher-se-iam os melhores dos melhores e passar-se-iam os outros para Muito Bom e os que tinham a dita nota para o Bom? Ou, numa outra eventualidade, rasurar-se-iam as notas, de forma a não se levantarem polémicas no seio de uma escola que se quer unida e sempre controlada?
Talvez se vislumbre uma resposta se se conhecerem melhor os dezasseis pontos em que o hipotético docente será avaliado, previsto no artigo 46º do hipotético novo estatuto:
Os docentes passariam a ser avaliados em dezasseis pontos ou itens de classificação como lhe chama a Sra. Ministra. Destes, quinze são perfeitamente subjectivos, e um deles, o que respeita à assiduidade, o único preciso porque se trata de um número, a Sra. Ministra trata-o com a ligeireza que parece ser o seu maior dom. A Sra. Ministra nã se nega a coarctar aos docentes qualquer esperança, ainda que infeliz, de poderem assegurar o seu desempenho se caírem doentes numa cama. O professor passa, assim, a ser obrigado a cumprir 97% do seu serviço lectivo, se quiser progredir na carreira. À priori, esta medida parece ser finalmente a resposta aos pedidos dos pais e encarregados deeducação dos nossos alunos. Será assim tão óbvia e tão simples esta leitura?
Três por cento de faltas como máximo, representa cinco dias de faltas por ano? Explique-nos, por favor, a Sra. Ministra como justifica o facto de não poder estar doente. Fazemos notar que não falamos apenas de nós próprios, aqui também cabe a assistência à família. Repare a Sra. Ministra que os professores lidam com crianças, cerca de vinte e cinco por cada uma das cinco turma (em média, claro está), e que estas mesmas crianças adoecem e se constipam e nos constipam. E nós sabemos que às vezes mais vale ficar um dia em casa e recuperar a saúde, do que prestar um mau serviço público.
Os docentes têm um grande respeito pela sua profissão. Nenhum professor sério falta para ficar a dormir. Teremos que "contagiar" toda uma escola necessariamente, em nome da graduação profissional, uma vez que só serão devidamente justificadas as doenças em regime ambulatório.Por outro lado, repare Sra. Ministra, pois talvez ainda não o tenha feito, que a grande maioria dos docentes está deslocada da sua casa, longe dos seus familiares. Esta enorme massa humana que se desloca pelo país, em milhares de quilómetros mensais, aos princípios e fins-de-semana, em veículo próprio, e que entrega dinheiro ao estado nos impostos de combustíveis, está muito sujeita a ter contratempos na estrada ou com a mecânica do seu automóvel, e que, a partir de agora, estes mesmos cidadãos manterão esta distância durante três e depois quatro anos!
No que diz respeito às mães ou futuras mães, não compreendemos como pode a Sra. Ministra querer avançar com um estatuto que as espartilhará - a maternidade é um direito protegido pela Constituição da República Portuguesa. É-nos dito que, no decorrer desse ano, a docente não será avaliada, pelo que a mãe terá nesse ano a mesma classificação que lhe for atribuída no seguinte, ou seja, bastar-lhe-á faltar seis dias para que não progrida na carreira dois anos. Saberá a Sra. Ministra o complexo que é cuidar de uma criança durante os primeiros meses e anos de vida? Numa primeira fase, a do período do parto, o novo estatuto salvaguarda as mães para depois as deixar desamparadas numa segunda fase, como se a maternidade se esgotasse no acto de "dar à luz".
Contempla alguns destes dados na sua proposta, Sra. Ministra, ou prefere tratá-los com a distância da sua demagogia? Como quer a Sra. Ministra estabilidade docente, aquela que tanto aclama, convencendo apenas quem ignora a realidade do que é ser educador, se qualquer uma das acções que toma vai no sentido de criar instabilidade e insatisfação? Como quer a Sra. Ministra docentes produtivos e colaborativos se instiga ao fascismo redutor, como se lidasse com gente disposta a rebaixar-se aos seus pés sem que lhe fosse levantado um par de olhos? Como quer a Sra. Ministra um alto nível de rendimento escolar e uma enorme qualidade para a Educação quando atira medidas laças para cima de uma mesa, onde se discute o futuro?
Este é um assunto sério, Sra. Ministra, nenhum professor está aqui para brincar! À Sra. Ministra interessa ter os pais do seu lado, independentemente dos meios, o que lhe interessa são os fins economicistas, cada vez mais sublinhados por cada medida que assina.
Pretende convencer os professores deste país que um tecto ao fim de doze anos de carreira é um objectivo para quem tem que ser avaliado e classificado todos os anos? As demagogias criadas para iludir a opinião pública são os instrumentos de trabalho utilizados pelo estado, mas do tempo da outra senhora, quando a Sra. Ministra ainda tinha a esperança de viver numa democracia - se é que teve...
Parece-nos que todas estas medidas foram lançadas ao ar para justificar o trabalho de alguns caciques que há muito não leccionam e que pululam de gabinete em gabinete na esperança, certamente vá, de lhe apresentar algum trabalho, uma vez que, somente quando já não tiver professores no seu ministério, vossa Senhoria ficará plenamente satisfeita.
Junho de 2006
Um grupo de Professores desrespeitados
Neste sentido, e ao invés de contestar ponto por ponto a sua proposta de alteração ao Estatuto da Carreira Docente, os docentes deste país ficam-se pelas suas consequências, o tal efeito prático que a Sra. Ministra prefere dissimular num jogo falacioso e perigoso, atirando-nos, pais e professores, uns contra os outros.
Embora tenha surgido como o maior engodo - o de chamar os pais à escola - da história da Educação deste país, na verdade, a avaliação dos Docentes pelos Pais e Encarregados de Educação, representa apenas uma ponta da ponta de um iceberg, uma linha de texto num documento de 54 páginas. Interessa apenas a quem se limita a promover manobras de diversão facilmente identificáveis, parecendo ignorar que nenhum professor sério irá¡ temer se for avaliado de forma séria. É vergonhoso, até para nós que somos portugueses, verificar o calculismo e a facilidade com que a Sra. Ministra aborda a questão complexa, como é a de avaliar os desempenhos dos professores, sem o mínimo de profundidade, preferindo, sem olhar a meios, o populismo fácil e barroco.
Recorrendo a meras hipóteses, se o novo estatuto fosse, numa eventualidade pouco inteligente, aprovado, o docente teria um número fechado de vagas para Muito Bons e Excelentes. Assim, perguntamos nós: e se, num acaso, os professores de uma escola excederem o número premeditado de Excelentes? Escolher-se-iam os melhores dos melhores e passar-se-iam os outros para Muito Bom e os que tinham a dita nota para o Bom? Ou, numa outra eventualidade, rasurar-se-iam as notas, de forma a não se levantarem polémicas no seio de uma escola que se quer unida e sempre controlada?
Talvez se vislumbre uma resposta se se conhecerem melhor os dezasseis pontos em que o hipotético docente será avaliado, previsto no artigo 46º do hipotético novo estatuto:
- o professor será avaliado pelos resultados escolares dos alunos.
- o professor será avaliado pelas taxas de abandono escolar?
- apreciação do trabalho colaborativo do docente?
- apreciação realizada pelos pais e encarregados de educação.
- avaliação através da observação de aulas?
Os docentes passariam a ser avaliados em dezasseis pontos ou itens de classificação como lhe chama a Sra. Ministra. Destes, quinze são perfeitamente subjectivos, e um deles, o que respeita à assiduidade, o único preciso porque se trata de um número, a Sra. Ministra trata-o com a ligeireza que parece ser o seu maior dom. A Sra. Ministra nã se nega a coarctar aos docentes qualquer esperança, ainda que infeliz, de poderem assegurar o seu desempenho se caírem doentes numa cama. O professor passa, assim, a ser obrigado a cumprir 97% do seu serviço lectivo, se quiser progredir na carreira. À priori, esta medida parece ser finalmente a resposta aos pedidos dos pais e encarregados deeducação dos nossos alunos. Será assim tão óbvia e tão simples esta leitura?
Três por cento de faltas como máximo, representa cinco dias de faltas por ano? Explique-nos, por favor, a Sra. Ministra como justifica o facto de não poder estar doente. Fazemos notar que não falamos apenas de nós próprios, aqui também cabe a assistência à família. Repare a Sra. Ministra que os professores lidam com crianças, cerca de vinte e cinco por cada uma das cinco turma (em média, claro está), e que estas mesmas crianças adoecem e se constipam e nos constipam. E nós sabemos que às vezes mais vale ficar um dia em casa e recuperar a saúde, do que prestar um mau serviço público.
Os docentes têm um grande respeito pela sua profissão. Nenhum professor sério falta para ficar a dormir. Teremos que "contagiar" toda uma escola necessariamente, em nome da graduação profissional, uma vez que só serão devidamente justificadas as doenças em regime ambulatório.Por outro lado, repare Sra. Ministra, pois talvez ainda não o tenha feito, que a grande maioria dos docentes está deslocada da sua casa, longe dos seus familiares. Esta enorme massa humana que se desloca pelo país, em milhares de quilómetros mensais, aos princípios e fins-de-semana, em veículo próprio, e que entrega dinheiro ao estado nos impostos de combustíveis, está muito sujeita a ter contratempos na estrada ou com a mecânica do seu automóvel, e que, a partir de agora, estes mesmos cidadãos manterão esta distância durante três e depois quatro anos!
No que diz respeito às mães ou futuras mães, não compreendemos como pode a Sra. Ministra querer avançar com um estatuto que as espartilhará - a maternidade é um direito protegido pela Constituição da República Portuguesa. É-nos dito que, no decorrer desse ano, a docente não será avaliada, pelo que a mãe terá nesse ano a mesma classificação que lhe for atribuída no seguinte, ou seja, bastar-lhe-á faltar seis dias para que não progrida na carreira dois anos. Saberá a Sra. Ministra o complexo que é cuidar de uma criança durante os primeiros meses e anos de vida? Numa primeira fase, a do período do parto, o novo estatuto salvaguarda as mães para depois as deixar desamparadas numa segunda fase, como se a maternidade se esgotasse no acto de "dar à luz".
Contempla alguns destes dados na sua proposta, Sra. Ministra, ou prefere tratá-los com a distância da sua demagogia? Como quer a Sra. Ministra estabilidade docente, aquela que tanto aclama, convencendo apenas quem ignora a realidade do que é ser educador, se qualquer uma das acções que toma vai no sentido de criar instabilidade e insatisfação? Como quer a Sra. Ministra docentes produtivos e colaborativos se instiga ao fascismo redutor, como se lidasse com gente disposta a rebaixar-se aos seus pés sem que lhe fosse levantado um par de olhos? Como quer a Sra. Ministra um alto nível de rendimento escolar e uma enorme qualidade para a Educação quando atira medidas laças para cima de uma mesa, onde se discute o futuro?
Este é um assunto sério, Sra. Ministra, nenhum professor está aqui para brincar! À Sra. Ministra interessa ter os pais do seu lado, independentemente dos meios, o que lhe interessa são os fins economicistas, cada vez mais sublinhados por cada medida que assina.
Pretende convencer os professores deste país que um tecto ao fim de doze anos de carreira é um objectivo para quem tem que ser avaliado e classificado todos os anos? As demagogias criadas para iludir a opinião pública são os instrumentos de trabalho utilizados pelo estado, mas do tempo da outra senhora, quando a Sra. Ministra ainda tinha a esperança de viver numa democracia - se é que teve...
Parece-nos que todas estas medidas foram lançadas ao ar para justificar o trabalho de alguns caciques que há muito não leccionam e que pululam de gabinete em gabinete na esperança, certamente vá, de lhe apresentar algum trabalho, uma vez que, somente quando já não tiver professores no seu ministério, vossa Senhoria ficará plenamente satisfeita.
Junho de 2006
Um grupo de Professores desrespeitados
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